No Cabo Verde

Localização : Cabo Verde, Ilha de Santo Antão, Município do Porto Novo.

Contexto e Objectivo : 70% das famílias do município de Porto Novo são consideradas pobres ou muito pobres. O acesso à terra é problemático e o sistema fundiário de parceria muito difundido. Apesar das dificuldades ligadas ao contexto geográfico (relevo, seca), existem possibilidades, insuficientemente aproveitadas, para melhorar os sistemas de produção agropecuária. As actividades do sector primário são abandonadas enquanto são ao alcance dos pequenos agricultores e criadores.

Iniciado em 2006 com uma duração de 4 anos, este projecto visa reforçar as capacidades dos pequenos camponeses do município do Porto Novo para encontrar soluções técnicas e organizacionais que possam melhorar a durabilidade dos seus sistemas de produção, alternativas que possam aumentar os seus rendimentos através da transformação e da comercialização dos produtos agrícolas e pecuários. 

Acções :

As actividades são baseadas num trabalho de formação e experimentação participativa nos sectores da produção, da transformação e da comercialização agrícola. Ao mesmo tempo, estruturas regionais de apoio às iniciativas agrícolas vão ser criadas : centro de abastecimento em factores de produção e centro de apoio à comercialização.

Formação agrícola e apoio às experimentações participativas de inovações.
Trata-se de animar um processo de reflexão e experimentação que valoriza o saber-fazer tradicional e que o enriquece com conhecimentos provenientes da pesquisa agronómica e experiências positivas realizadas em outras regiões ou países. A formação é realizada dentro das comunidades rurais no seio de grupos de 15 a 25 agricultores e criadores, chamados GRAFE (Grupos de Reflexão-Análise, Formação e Experimentação). O contéudo das formações e a escolha das experimentações são definidos com os próprios camponeses. Pode dizer respeito ao melhoramento de produções já existentes ou à introdução de uma nova produção ou prática.

Formação permanente de uma rede de líderes técnicos.
São agricultores e criadores voluntários que têm como papel, depois as formações e depois do fim do projecto, de manter viva a procura de novas alternativas assim como de estimular a experimentação de novas técnicas, práticas e/ou produções. Devem também favorecer a difusão das novas alternativas junto com os agricultores da comunidade que não participaram da primeira fase do projecto e são os interlocutores privilegiados do Ministério da Agricultura.

Apoio à transformação e à comercialização dos produtos agrícolas e à criação de micro empresas.
A mesma metodologia de formação e experimentação participativa é utilizada para que os agricultores identifiquem métodos de transformação e comercialização dos produtos afim de criar valor agregado e obter preços de venda mais elevados. Os produtos são destinados para os mercados locais mais também uma clientela turística em constante progressão através da organização de uma rede de economia solidária, especificamente com a ilha vizinha  de São Vicente.

Criação de um Centro de abastecimento em factores de produção agrícola e de apoio à transformação e comercialização dos produtos agrícolas.
Ao mesmo que as actividades já acima mencionadas, o projecto vai criar no Porto Novo um pequeno centro de abastecimento para os factores de produção mais procurados pelos produtores. Nas comunidades mais distantes, as associações comunitárias poderão criar postos de revenda. Instalado no mesmo edifício, um centro de apoio à transformação e à comercialização será criado, oferecendo serviços de laboratório de análise, de marketing, etc. Este centro será administrado pela ONG Atelier Mar que vai depois preparar associações locais e cooperativas existentes para gerir este centro.

Reforço das associações comunitárias e apoio instituicional à ONG ATELIER MAR.
O reforço do associativismo é uma componente fundamental dos projectos da ESSOR. Um trabalho de diagnóstico e de formação nas comunidades rurais do Porto Novo deve permitir às associações comunitárias de participar de forma mais activa aos espaços de concertação com  os poderes públicos. Do seu lado, a ONG Atelier Mar é apoiada na implementação de um plano de desenvolvimento instituicional.

Beneficiários directos : 20 grupos de 15 a 20 pequenos agricultores / criadores distribuidos em todo o município (ou seja 80% das comunidades). Os beneficiários representam entre 350 e 400 famílias.

Beneficiários indirectos : a totalidade das famílias rurais do município, ou seja 9 500 pessoas.

Parceiros :
- A acção é implementada com a ONG caboverdeana ATELIER MAR. O Ministério da Agricultura e o Município do Porto Novo são os parceiros instituicionais.
- O Projecto é financiado pela Comissão europeia, o Ministério Francês dos Assuntos Estrangeiros, a Fundação Lord Michelham of Hellingly, a Associação Groupe Développement, a Fundação Crédit Agricole, a Fundação Anber.

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